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10 de Abril de 2020

Os grandes economistas

Gabriela Ruscitto, Estudante de Direito
Publicado por Gabriela Ruscitto
há 4 anos
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Sumário

1. Adam Smith – Escola Clássica Inglesa. 3

1.1 Contexto Histórico. 3

1.2 Dados Biográficos. 3

1.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito. 4

1.4 Legado. 6

1.5 Críticas. 6

1.6 Prolongamentos. 6

2. David Ricardo – Liberalismo econômico. 7

2.1 Contexto Histórico. 7

2.2 Dados Biográficos. 7

2.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito. 8

2.4 Legado. 9

2.5 Críticas. 9

2.6 Prolongamentos. 10

3. Thomas Robert Malthus - Superpopulação. 10

3.1 Contexto Histórico. 10

3.2 Dados Biográficos. 10

3.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito. 11

3.4 Legado. 11

3.5 Críticas. 12

3.6 Prolongamentos. 12

1. Adam Smith – Escola Clássica Inglesa

1.1 Contexto Histórico

Adam Smith nasceu em 1723, época em que ainda imperava as ideias mercantilistas. Considerado o pai da economia política, ele rompeu com a clássica noção de riqueza e em sua principal obra A riqueza das nações: investigação sobre sua natureza e suas causas, ele rejeita que a riqueza esteja vinculada ao acúmulo de metais preciosos, como o queriam os mercantilistas. Ora, em sua época mais ativa, predominava na Europa a ideologia dos fisiocratas da época, sendo que Adam teve de discordar dos mais célebres pensadores de sua época, o que pode-se considerar ousado.

Adam Smith percorreu a Europa no século XVIII a fim de conhecer os grandes espíritos e fisiocratas da época.

1.2 Dados Biográficos

Adam Smith nasceu na Escócia, no ano de 1723, na cidade de Kirkaldy. Estudou filosofia em Glasgow e teologia em Oxford. Em 1752, tornou-se professor de filosofia na Universidade de Glasgow e, graças a suas publicações, tornou-se famoso e passou a compor o quadro de grandes pensadores da época. Smith, quando em sua ascensão, visitou a Europa e conheceu vários pensadores, como Turgot, D´Alembert, Quesnay, etc. Que o introduziram à ciência política.

Foi em 1776 que ele publicou A riqueza das nações: investigação sobre sua natureza e suas causas. No fim da sua vida, ele foi nomeado comissário das alfândegas em Edimburgo. Faleceu em 1790, como o “pai” da economia política.

Como principais obras de Smith, podemos citar Teoria dos sentimentos morais (1759) e a já citada A riqueza das nações: investigação sobre sua natureza e suas causas (1776).

1.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito

Como fundamento, podemos citar a ideia de Adam em separar os valores agregados aos bens em duas classes: a) valor de uso e b) valor de troca. O valor de uso é aquele em que se avalia a utilidade do produto, sua necessidade etc. Por outro lado, o valor de troca é aquele que se verifica com a possibilidade de este fornecer mercadoria no mercado, ou seja, é o valor que se calcula com a demanda de troca. Um exemplo interessante, dado pelo autor, é a água e o diamante: a primeira possui imenso valor de uso, ao passo que a segunda nada de uso tem a oferecer. Em se tratando, porém, do valor de troca, a situação se inverte, pois a água pouco ou nada pode comprar enquanto que o diamante pode ser trocado por muitos produtos.

Com o raciocínio acima, Adam deduziu que o preço ou valor de troca de uma mercadoria já não deriva apenas do trabalho humano: depende dos salários que serão pagos ao trabalhador, da matéria que será utilizada etc.

Disso suposto, Adam faz uma relação socioeconômica dos valores com o trabalho: qual a relação existente entre o trabalhador e o produto?

Todo trabalhador deve possuir um salário. Os salários variam em níveis, que são determinados pelas seguintes características do trabalho: o fato de ser agradável ou penoso; o tempo de aprendizagem exigido; a confiança do empregador; a estabilidade do emprego; e o risco, maior ou menor probabilidade de sucesso.

Além de tudo isso, o salário é condicionado também por uma característica do mercado: a demanda e a oferta. Ofertas altas propiciam salários baixos, ao passo que demandas altas propiciam salários altos.

Ressalvadas estas considerações preliminares a respeito do trabalho, Adam Smith trata de enunciar uma ideia a respeito da divisão do trabalho: ele defende que a divisão do trabalho produz uma alta na produtividade quando comparada à forma clássica de trabalho independente. As fábricas da época já experimentavam esta forma de trabalho e os resultados eram realmente positivos. Smith dizia que essa divisão aumentava a produtividade, pois o operário se especializava na sua tarefa e esta passava a ser a “única da sua vida”.

Em contrapartida, Smith dizia que esta divisão pode causar danos humanos ao trabalhador: ele deixa de exercer suas faculdades humanas intelectuais e passa a exercer apenas aquela simplista tarefa a ele atribuída.

Como finalidade da divisão do trabalho, Adam Smith generaliza-a à atividade econômica nacional: a fonte da riqueza das nações é a divisão social do trabalho: cada trabalhador exercerá sua atividade especifica e utilizará os ganhos propiciados por ela para adquirir aquilo que ele precisa e não produz.

Com a mesma ideia generalizadora, Smith passa a atingir o plano internacional das relações: um país deve se especializar em uma produção e, aquelas que se tornarem caras devem ser importadas. Ele chamou isto de vantagem absoluta.

Segundo a ideia de Adam, existe uma “mão invisível” que guia o mercado: os interesses devem ser mantidos para que o mercado exista, mas estes interesses são de estima egocêntrica, ou seja, os participantes, zelosos de suas vantagens, colaboram para a manutenção do mercado. É deste ponto que surge a livre concorrência: esta permite que os preços se autorregulem e ocasionem o preço justo.

Smith ainda destaca o papel fundamental do Estado na economia: este deve assumir para si algumas responsabilidades sobre produção. Os tributos a serem cobrados, por exemplo, são uma forma de o Estado fazer a manutenção da economia. Três funções são atribuídas ao Estado em relação à sociedade civil: defesa do território, administração da justiça e evitar que determinadas produções sejam assumidas pelo setor privado. Os tributos cobrados pelo Estado nunca devem ser excessivos: eles podem acarretar problemas na economia e desestimulo à produção.

1.4 Legado

Com suas ideias econômicas, Adam Smith conquistou seu espaço sendo consagrado o pai da economia política, o fundador da Escola Clássica Inglesa e o criador da Divisão Internacional do Trabalho. Estas contribuições surtiriam efeitos até hoje, nos modelos de produção mundiais.

1.5 Críticas

Karl Marx opunha a divisão otimista de Smith. O próprio Smith já reconhecera que o trabalho excessivamente dividido resultaria em problemas ao operário. Karl vai adiante: além de prejudicar o trabalhador, a divisão do trabalho traz muita vantagem ao empresário: os trabalhadores ficam à mercê do empregador na contratação e demissão, visto que o recurso à máquina e á divisão das tarefas torna os homens plenamente substituíveis; a desqualificação do trabalho e a banalização da produção diminuem os salários; os assalariados perdem a visão global que tinham do trabalho. Além disso, uma série de problemas psíquicos eram atribuídos aos trabalhadores submetidos a excessivas repetições de sua função, e isto ficou registrado na frase de Marx: “[...] um apêndice de carne numa máquina de aço”.

1.6 Prolongamentos

Ao modelo divisional de trabalho defendido por Smith, aderiu o engenheiro Frederick Winslow Taylor, que criou a organização cientifica do trabalho. Taylor defendia a necessidade de duas divisões uma divisão vertical e uma horizontal. Os dirigentes dão as ordens aos operários e eles devem cumpri-las.

Na divisão horizontal, deve-se evitar “vadiagens” que atrasam a produção, e é necessário a individualização da remuneração.

Um outro importante economista a aderir a Smith foi Arthur Laffer, que defendeu o mesmo ideal de “não encarregar a economia nacional de excessivos tributos”. Arthur entendia que “o imposto mata o imposto”. O excesso na cobrança de tributos geraria de inicio, uma alta na arrecadação fiscal, mas posteriormente levaria a uma queda. Outro resultado do excesso de impostos seria o surgimento de muitas fraudes e sonegações.

2. David Ricardo – Liberalismo econômico

2.1 Contexto Histórico

David Ricardo viveu em época pouco posterior a Smith. Nasceu em 1772, em Londres, e sua vida foi dedicada à economia, desde quando especulava na bolsa de valores até sua entrada na economia teórica. David Ricardo defendeu o liberalismo econômico, contrariando as leis protecionistas da sua época. Baseou-se nas obras de Smith e de Jean-Baptiste Say. Ricardo viveu no período de transição entre o mercantilismo e o liberalismo.

2.2 Dados Biográficos

Nascido em 1772, David iniciou sua vida financeira trabalhando com o pai na bolsa de valores, desde os 14 anos. Em 1793, estabeleceu-se por conta própria e, utilizando-se de especulações na bolsa de valores, enriqueceu. Em 1819, foi eleito Deputado na Câmara dos Comuns. Faleceu em 1893. Suas principais obras são: Ensaio sobre a influência do baixo preço do cereal sobre os lucros do capital (1815);Princípios de economia política e tributação (1817).

2.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito

Ricardo reformula a teoria do valor-trabalho, dando ao valor uma qualidade que depende do trabalho. Para isso, ele deduz que, além do trabalho humano, existe o trabalho das máquinas, o que ele chama trabalho incorporado: as máquinas realizam um trabalho indireto, ao passo que os homens realizam um trabalho direto. A produção, portanto, é resultado do trabalho humano e do trabalho das máquinas. Um outro tipo de valor, defendido por Ricardo, é aquele acarretado pela raridade de um produto: as obras de arte, as relíquias, livros antigos etc. Cujo preço é determinado pela propensão de alguns em adquiri-lo.

Em relação aos preços, Ricardo afirma que existem dois tipos: o preço natural, que é resultado do trabalho incorporado, e o preço corrente, que é determinado pelo jogo da oferta e da demanda. Ricardo dizia que eles tendem a se igualar.

Ricardo fez uma análise do aumento dos preços dos bens de subsistência: se, aumenta-se o preço dos bens de subsistência (que ele compactuava com a ideia de Malthus), deve-se aumentar os salários e isto provocará a baixa dos lucros e levará a economia ao estado estacionário, interrupção do crescimento.

Tratando-se da moeda, Ricardo afirmava que o excesso na produção de papel-moeda provocaria a inflação: os bancos, ao perceber a emissão de grande quantidade de papel-moeda pelo Estado, multiplicariam seus créditos e, com os juros obtidos em financiamentos, provocaria uma alta nos preços, equiparado à inflação. Para sanar tal problema, Ricardo afirmava que era necessário que fosse emitido papel-moeda em relação à economia em ouro de que dispunha o Estado.

Ricardo era contra as medidas protecionistas da Inglaterra. Isto porque ele acreditava que as relações internacionais de importação eram fundamentais para a manutenção do equilíbrio econômico: quando se torna muito caro a produção de determinado produto, é mais viável importa-lo, e as medidas protecionistas atrapalham esse processo.

Um outro ponto da visão e Ricardo é a sua harmonia com a ideia smithiana da “mão invisível”: as relações internacionais são benéficas para todas as nações envolvidas, pois propicia uma quantidade de lucro para cada uma. Entretanto, Ricardo nega o fator vantagem absoluta em detrimento de uma vantagem comparativa. Sendo assim, mesmo sendo a nação mais hábil que a outra em determinada produção, seria conveniente que ela se dedicasse àquela comparativamente mais lucrativa.

Por fim, Ricardo analisou a questão da moeda nas relações internacionais: é fundamental manter a balança comercial favorável; mas a circulação da moeda no território nacional deve ser também controlada, pois exportar muito acarreta aumento na circulação de capital e acarreta a elevação dos preços.

2.4 Legado

Ricardo foi o teórico transitório entre o pensamento mercantilista e o liberalismo econômico.

2.5 Críticas

Um grande crítico de Ricardo foi Friedrich List, que defendia o protecionismo. List dizia que, semelhante ao desenvolvimento de uma criança que deve ser protegida pelos pais até o amadurecimento, a economia nacional também deveria ser protegida até alcançar um bom nível de desenvolvimento. Para ele, são cinco fases a serem passadas pelo desenvolvimento econômico: o estado selvagem, o estado pastoril, o estado agrícola, o estado agrico-manufatureiro e o estado agrico-manufatureiro-comercial. O objetivo das medidas protecionistas é permitir que a economia desenvolva-se sem sofrer problemas em seu desenvolvimento, sem sofrer os desestímulos da concorrência. As desigualdades cientificas ocasionariam relações de dominação entre as nações, ficando as menos favorecidas como subcontratadas das mais ricas. Keynes também pronunciou-se a respeito das medidas protecionistas: em situações de escassez, subemprego etc. As medidas protecionistas são úteis para reanimar a economia e permitir uma reestruturação, com enfoque para o desenvolvimento do emprego. Marx também se manifestou a respeito do livre-câmbio: essa ideia de liberdade nas negociações é muito mais favorável às nações ricas do que às pobres: os altos salários das nações ricas comparativamente aos baixos salários das nações pobres levariam a uma desigualdade de preços e uma desvantagem no mercado, o que explica a perpetuação da exploração do Hemisfério Sul pelo Norte.

2.6 Prolongamentos

A escola sueca, por exemplo, compactuou com a ideia das vantagens comparativas e o valor empenhado (trabalho incorporado) à produção. Dificil é abordar os prolongamentos das ideias de Ricardo, pois os fatos da globalização a contrariam.

3. Thomas Robert Malthus - Superpopulação

3.1 Contexto Histórico

Assim como Ricardo e Smith, Malthus viveu na época da escola clássica inglesa e foi um de seus representantes. Nascido em 1766, formou-se em matemática e literatura. Á sua época, a situação dos trabalhadores era muito difícil: a exploração estava em alta e a vida nas industrias era difícil. Assim como Ricardo e Smith, Malthus se voltou para a análise da desgraça social e como resultado engajou-se na economia política. Ora, vale lembrar que a escola clássica inglesa estava compreendida no período em que se deu o Iluminismo.

3.2 Dados Biográficos

Nascido em 1766, Malthus formou-se em matemática e literatura em Cambridge. Em 1789, virou sacerdote, assumindo uma paróquia em 1791. Inconformado com a situação social da época, voltou-se para a Economia política e, em 1805, tornou-se professor na faculdade fundada pela Companhia das Índias Orientais. Faleceu em 1834. Suas principais obras são: Ensaio sobre a população (1803); Investigação sobre a natureza e a evolução da renda (1815); Princípios da economia política e considerações sobre a sua aplicação prática (1820); A medida do valor (1823); Definições de economia política (1827).

3.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito

Malthus defendia que o crescimento populacional superaria a produção de alimentos. A produção agrícola é baseada na terra, que é limitada. Assim, em um determinado ponto, a produção deixaria de suprir a demanda. Para Malthus, a produção agrícola cresce em progressão aritmética, ao passo que o crescimento populacional se dá em progressão geométrica. O resultado disso seria a generalização da pobreza, a fome, a subversão social etc. Para sanar tal problema, Malthus propôs o controle populacional, separado por ele em dois tipos: o obstáculo destrutivo, ou seja, as guerras, as epidemias etc. E o obstáculo preventivo, que seria um plano moral de conscientização da população: os mais ricos podem ter mais filhos, e os mais pobres devem, antes, melhorar sua condição financeira para poder gerar filhos.

Além disso, Malthus era contrario às politicas de assistência aos pobres: para ele, ajudar os pobres provocaria influencia negativa na sociedade, ao passo que estimularia o comportamento vadio. Ou seja, Malthus dizia que a ajuda aos pobres é injusta. Diz ainda que ela provoca o aumento dos preços.

3.4 Legado

Malthus foi o primeiro teórico da demanda, atribuindo a ela os desequilíbrios da sociedade como causa. Suas teorias de controle populacional são utilizadas até hoje, por exemplo, no Oriente.

3.5 Críticas

A principal crítica que se pode fazer à ideia malthusiana, é a desconsideração que ela teve a respeito da evolução tecnológica da agricultura. Malthus não considerou que o crescimento populacional poderia ocasionar avanços na produção agrícola. Ou seja, mesmo que a população cresça, a tecnologia permitiu à agricultura grandes evoluções, aumentando drasticamente a capacidade de produção agrícola. Dessa forma, um fazendeiro passou a produzir alimentos para alimentar 70 pessoas, contrariamente ao fazendeiro à época de Malthus, que produzia alimentos para 4 pessoas. Assim, o homem desenvolveu técnicas que aumentaram a produção e que derrubou a ideia de crescimento em progressão aritmética da produção agrícola. Além disso, vale lembrar que o trabalho de alguns sociólogos mostrou que o crescimento demográfico não se mantém elevado: ele atinge, em determinado ponto, uma estabilidade com o numero de mortes, e as explosões demográficas são resultado de instabilidades sociais que, ao serem sanadas, retornarão o índice de natalidade ao normal.

3.6 Prolongamentos

Em 1979, na China, iniciou-se um programa de controle natural da população. Os casais que tivessem um único filho detinham grandes privilégios e benefícios, ao passo que os casais que tivessem mais de 1 filho sofriam perdas de direitos sociais. Isto possibilitou uma diminuição no crescimento vegetativo da China. Esse programa foi baseado, parcialmente, nas ideias de Malthus, para atingir outros fins que a solução da fome.

7. John Maynard Keynes - Reformador do Capitalismo

7.1 Contexto Histórico

John Maynard Keynes nasceu em Cambridge em 1883. Seguiu os ensinamentos de Alfred Marshall, grande representante da escola neoclássica. Vivenciando as duas grandes guerras. Antes de Kaynes, os economistas clássicos e neoclássicos abordavam os fenômenos e mecanismos econômicos como vinculados a comportamentos individuais (consumo, poupança) ou a estratégias elaboradas por grupos de dimensões relativamente restritas (empresas). Keynes ensina a considerar o sistema econômico em seu conjunto e a analisar as interações entre as diferentes grandezas da economia nacional.

7.2 Dados Biográficos

John Keynes nasceu em 1883, em Cambridge. Aluno de Eton, depois estudante de matemática e economia no King’s College em Cambridge, depois foi assistente dessa escola após defender sua tese sobre a teoria das probabilidades em 1908. A seguir, foi chamado em várias missões administrativas, primeiro do Tesouro em 1915, e depois para a conferência de paz em 1919, para preparar o Tratado de Versalhes. Discordando do montante das indenizações impostas à Alemanha, ele renunciou a suas funções. Então, passou a se dedicar a hábeis especulações na Bolsa, ao mesmo tempo que escrevia vários artigos sobre os problemas econômicos da época. Recebendo o título de Lorde em 1942, representou a delegação britânica na Conferência de Bretton Woods, em 1944. Morreu em 1946, de um ataque cardíaco.

7.3 Ideias Econômicas e suas relações com a política e o Direito

Teoria Geral, livro sutil e complexo. Contudo, suas três proposições mais importantes são relativamente simples:

1) Desemprego em uma economia de mercado. Contrastando com a escola clássica prevalecente de economistas, Keynes argumentava que uma economia de mercado poderia não ter forças vigorosas que a movimentassem em direção ao pleno-emprego. Na verdade, uma economia de mercado poderia vir a se estabelecer em um equilíbrio com desemprego em grande escala.

2) A causa do desemprego. Keynes argumentava que o desemprego em grande escala é o resultado de gastos excessivamente baixos em bens e serviços. Em outras palavras, desemprego reflete uma insuficiência de demanda agregada.

3) A cura para o desemprego. Para curar desemprego, a demanda agregada deveria ser aumentada. A melhor maneira de fazer isto, dizia Keynes, é pelo aumento dos gastos governamentais.

Keynes destaca os efeitos perversos da poupança numa condição de subemprego. Ele inclui o excesso de poupança na dinâmica da crise. A poupança aparece como uma fuga do circuito econômico; os consumidores, ao reduzir suas despesas, incentivam os empresários, a não criar emprego e inclusiva demitir. O aumento do então se traduz numa regressão do consumo, que apenas piora a situação inicial. Desse modo, o desemprego, por sua vez, gera desemprego.

Keynes rompe com a visão clássica ao mostrar que a taxa de juros regula menos o mercado de capitais do que a oferta e a demanda de moeda, isto é, de “dinheiro líquido”. Surge um novo instrumento: a preferência pela liquidez, que se caracteriza pela vontade de conservar valores em caixa em moeda líquida. A taxa de juros, é função das relações que se criam entre a preferência pela liquidez e a oferta monetária do banco central.

O equilíbrio para Keynes pode ser estabelecido de diferentes maneiras:

1) Existe equilíbrio quando o produto nacional é igual à demanda agregada

2) Existe equilíbrio quando os estoques se encontram no seu nível desejado, ou seja, quando os investimentos realizados são iguais aos investimentos planejados e quando não há nem crescimento nem redução nos estoques

3) Existe equilíbrio quando o investimento e poupança desejados são iguais

A razão para o desemprego pode ser expressa de duas maneiras alternativas. Haverá equilíbrio com desemprego se:

1) a demanda agregada for muito baixa para sustentar a quantidade de produto nacional de pleno-emprego

2) o investimento desejado cair da poupança quando o produto nacional estiver em seu nível de pleno-emprego.

Keynes preconiza, em períodos de crise, a intervenção do poder público.

A ampliação das funções do Estado é a única maneira de evitar uma destruição das instituições econômicas.

Em períodos difíceis, o Estado se substitui aos mecanismos espontâneos do mercado, para assegurar o equilíbrio econômico e o crescimento, mas sem eliminar a sociedade civil em favor de um sistema coletivista. O Estado não deve assumir a propriedade dos meios de produção, se o poder público deve intervir em apoio à sociedade civil, sua gestão deve ser apenas temporária. Uma vez garantido o retorno ao pleno emprego, a intervenção estatal cessa e o mercado retoma seus direitos.

7.4 Legado

A obra de Keynes constitui um dos monumentos do pensamento econômico. A exemplo de Smith e Marx, ele deu origem a um dos três principais paradigmas da ciência econômica: o keynesianismo. Opondo-se à ortodoxia liberal, Keynes mostrou os limites das reflexões neoclássicas, sobretudo na questão do subemprego. Pronunciou-se também contra a teoria quantitativa da moeda. Mas a quintessência da “revolução keynesiana” reside na interpretação da grande crise dos anos 1930. Com uma visão global das interações econômicas, Keynes, em sua Teoria Geral, propôs um modelo macroeconômico que seria o fio condutor das políticas econômicas dos trintas anos de reconstrução e desenvolvimento pós-guerra.

7.5 Críticas

O raciocínio keynesiano se fundava numa economia fechada, protegida do exterior por um protecionismo temporário. Hoje não é mais a situação dos países industrializados. Os estados-nação internacionalizaram suas economias. Um aumento da demanda determinado por uma estratégia de alvancagem pode ser obtido com os recursos às importações de outros países, sobretudo se estes tiverem uma boa competitividade de preço em relação aos produtos internos. Favorecendo concorrentes, sob a forma de entrada de divisas e criação de empregos.

7.6 Prolongamentos

O economista italiano Franco Modigliani, relativiza a hipótese keynesiana de um crescimento da poupança em função do aumento da renda. A decisão entre consumo e poupança dependeria de diversos fatores associados ao “ciclo de vida” de um indivíduo ou de uma família.

8. Joseph Aloïs Schumpeter, teórico da inovação e dos ciclos

8.1 Contexto Histórico

Joseph Aloïs Schumpeter nasceu em Triesch, na Moravia, em 1883 – ano da morte de Marx e do nascimento de Keynes. Após a Primeira Guerra Mundial, teve uma rápida carreira política como ministro de Finanças. Sua obra é fortemente marcada pela sociologia alemã (Max Weber) e pela economia de Karl Marx. Ao interpretar a teoria dos ciclos, Schumpeter se definiu como o teórico da mudança e dos desequilíbrios do sistema capitalista, cuja dinâmica se funda no papel do empreendedor e na difusão da inovação.

8.2 Dados Biográficos

Joseph Aloïs Schumpeter nasceu em Triesch, na Moravia, em 1883. Em Viena, estudou sociologia e depois economia, seguindo os cursos de Eugen von Böhm-Bawerk, um dos fundadores da escola neoclássica austríaca. Tornou-se professor da Universidade de Czernowitz e, mais tarde, de Graz. Também em Bonn e depois em Harvard, nos EUA, onde lecionou de 1932 até sua morte em 1950.

8.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito

O empreendedor é o revolucionário da economia. Os motivos que levam o empreendedor a agir não são exclusivamente comandados pela busca de lucro. Schumpeter descreve a vontade do empreendedor de construir um reino privado, que possa vir a legar a seus descendentes e, assim, criar uma verdadeira dinastia industrial ou comercial.

A vontade de lutar e vencer é o segundo tipo de motivação que anima o empreendedor. A atividade econômica é entendida como uma espécie de luta de boxe, em que vence o melhor. O lucro é considerado um índice de sucesso, e não apenas o objetivo último da atividade empreendedora.

O empreendedor está na origem da inovação. O empreendedor realiza novas combinações produtivas à base do trabalho humano e do capital fixo. O empreendedor, segundo Schumpeter, se diferencia do capitalista, o qual procura apenas fazer render seu capital, mas sem assumir riscos: assim, o capitalista tem a tendência, por desconfiança, de evitar a inovação.

Schumpeter apresenta 5 formas de inovação:

1) a fabricação de um novo bem ou a transformação de um produto antigo com acréscimo de uma nova qualidade, que o torna diferente;

2) a introdução de um novo método de produção. Não é preciso que se baseie numa descoberta científica de primeira importância. Pode ser um procedimento comercial;

3) a abertura de uma nova saída para o produto num mercado que não tinha sido considerado anteriormente;

4) a conquista de uma nova fonte de matérias-primas;

5) a realização de uma nova organização da produção;

Ele também recorre a 3 categorias de ciclos superpostos.

1) Ciclo longo – que sua duração é de 50 anos, dividida em dois períodos de 25 anos: a fase A se caracteriza ao crescimento da produção e a alta dos preços; a fase B por uma diminuição da produção e pela baixa dos preços.

2) Ciclo intermediário - que se divide em 4 fases (expansão, crise, recessão, retomada), com uma periodicidade de cerca de 10 anos.

3) Ciclo curto – tem uma duração de 40 meses, e se caracteriza por uma diminuição da atividade em períodos de expansão e uma acentuação da baixa em períodos de recessão.

Esses 3 ciclos explicam as irregularidades do crescimento econômico e a alternância das fases de expansão e recessão,

8.4 Legado

Nos anos de 1960, o economista norte-americano Michael Posner desenvolveu, a partir da teoria de Schumpeter, uma explicação da troca internacional fundada no avanço tecnológico de uma indústria ou não, e, portanto, sua superioridade em relação aos parceiros da troca mundial.

8.5 Críticas

A capacidade exportação de um país traz consigo equilíbrios econômicos, sobretudo em matéria de emprego, entrada de divisas e equilíbrio exterior. E nas empresas modernas, procura-se ter a colaboração de diretores especializados nos campos de expansão, surgindo um “empresário coletivo”. Os membros da tecnoestrutura geralmente não são donos do capital da empresa, são assalariados recrutados nas mais diversas competências técnicas.

8.6 Prolongamentos

Galbraith, Michael Posner desenvolveram teorias a partir dos pensamentos de Schumpeter sobre o empreendedorismo.

9. Milton Friedman, cruzado das liberdades econômicas

9.1 Contexto Histórico

Ao lado de Keynes, Milton Friedman é considerado um dos maiores economistas do século XX. Ele exerceu uma grande influência sobre as políticas econômicas dos países anglo-saxões e das nações em desenvolvimento. Friedman é um economista liberal, defensor do laisser-faire das forças espontâneas do mercado para se atingir um estado de equilíbrio. Ele se contrapõe à teoria e às políticas de inspiração keynesiana. Ele contesta a visão monetária derivada do keynesianismo: a inflação é sempre um fenômeno monetário. Um banco central deve vincular a criação monetária ao aumento do volume da produção nacional. Por outro lado, ele aponta a existência de um desemprego natural, que não pode ser reduzido pelas políticas de alavancagem conjuntural, cuja única conseqüência seria o aumento da inflação.

9.2 Dados Biográficos

Milton Friedman nasceu no Brooklyn, em 1912, numa família judaica de origens modestas. Graças a diversas bolsas, ele pôde financiar seus estudos superiores, principalmente na Universidade de Chicago, onde estou matemática, orientando-se a seguir para economia. Sua obra científica foi agraciada em 1976 com o prêmio de ciências econômicas do Banco da Suécia, em memória de Alfred Nobel, por sua contribuição à análise do consumo, à história e à teoria monetária, bem como por suas explicações das complexas políticas de estabilização.

9.3 Ideias econômicas e suas relações com a política e o Direito

Milton Friedman põe em questão a herança keynesiana.

Um aumento do rendimento não supõe necessariamente um aumento imediato do consumo dos agentes econômicos.

Em Teoria da função consumo, Friedman lanças as bases de um novo raciocínio sobre as relações entre a função repartição e a função consumo. O rendimento resulta de dois componentes, um permanente e outro transitório.

O componente permanente é função dos recursos que um indivíduo considera estáveis ao longo do tempo (patrimônio, salário vinculado à qualificação, avanço previsível na carreira profissional).

O componente transitório é mais “acidental” ou “aleatório” (ganhos em aplicações financeiras, prêmios salariais, redução tributária).

Friedman apresenta a ideia de uma taxa de emprego natural, para ele como o desemprego natural é estrutural, não pode ser reduzido por meio de uma política orçamentária ou monetária de tipo conjuntural. Assim, qualquer injeção de liquidez adicional terá como única conseqüência uma elevação dos preços. E para ele, a manipulação conjuntural das finanças públicas não é capaz de vencer o desemprego.

Friedman retoma a teoria quantitativa da moeda, se a demanda de moeda permanece estável, o crescimento da liquidez leva os agentes econômicos a se desfazerem de uma moeda excedente, gastando-a na compra de bens e de serviços. Ressurge o conhecido mecanismo da inflação por demanda.

Ele frisava a necessidade de incluir na Constituição americana um artigo referente ao aumento da massa monetária. Esta deveria variar de modo constante, no mesmo ritmo da taxa de crescimento a longo prazo da produção nacional. Possuía uma solução que era entregar a condução da política monetária não mais a indivíduos, e sim as leis, criando dispositivos legais.

9.4 Legado

Com as grandes crises que afetaram o mundo, Friedman se tornou a referência máxima quanto à regulação macroeconômica. Mais mercado e menos Estado: tal parece ser a palavra de ordem desse retorno ao liberalismo friedmaniano.

9.5 Críticas

A crise do petróleo e a recessão subseqüente levaram ao recuo das políticas de inspiração keynesiana.

O modelo de regulação keynesiano começou a se esfacelar no final dos anos 1960. O golpe misericordioso foi dado pela quadruplicação do preço do petróleo no segundo semestre em 1973. Friedman se tornou o economista número um depois disso.

9.6 Prolongamentos

Os primeiros a ouvir a mensagem de Friedman no mundo anglo-saxão foram aqueles que iriam ocupar as mais altas funções políticas nos EUA e no Reino Unido: o presidente Ronald Regan e a primeira-ministra Margaret Thatcher, essa última que implementou uma política drástica de controle de massa monetária.

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